terça-feira, 26 de março de 2013

CONCORDÂNCIA VERBAL – TEORIA

I – REGRA GERAL DE CONCORDÂNCIA O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. Exemplos: Essa infração implicará multa. Faltam dez minutos para o início do julgamento. Bastam duas horas para a realização da prova. II  VERBOS EXISTIR/OCORRER/REALIZAR-SE X HAVER As frases “Havia muitas desavenças entre eles” e “Existiam muitas desavenças entre eles”, embora sejam semanticamente equivalentes, apresentam estruturas sintáticas muito diferentes. Na primeira frase, aparece o verbo impessoal haver, cujo complemento (objeto direto) é muitas desavenças entre eles. Já na segunda frase, muitas desavenças entre eles é o sujeito do verbo existir, que é um verbo intransitivo, isto é, não requer complemento. Verifica-se a mesma diferença estrutural se compararmos as frases “Houve dois acidentes na BR 116” e “Ocorreram dois acidentes na BR 116”. O verbo haver permanece na terceira pessoa do singular porque é impessoal, ou seja, não tem sujeito. O verbo ocorrer, ao contrário, está flexionado na terceira pessoa do plural porque a expressão “dois acidentes” é o seu sujeito e, conforme a regra geral de concordância, o verbo sempre concorda com o sujeito, quando este existir. Para que não se infrinja a norma culta, deve-se ter presente que o verbo haver, no sentido de existir, ocorrer e realizar-se, ficará sempre na terceira pessoa do singular, já que é impessoal, ao passo que os verbos existir, ocorrer e realizar-se sempre terão sujeito, com o qual deverão concordar. III  SUJEITO PACIENTE X SUJEITO INDETERMINADO Muitos falantes empregam indistintamente as seguintes estruturas: VTD + SE + SUJEITO E VTI + SE + OI ou VI + SE + (ADJUNTO ADV.). Para esses falantes, as frases “Revisam-se trabalhos científicos” (1) e “Precisa-se de professores de português”(2) têm a mesma estrutura; por isso, empregam o verbo da primeira frase no singular (Revisa-se). Há, porém, uma grande diferença na estrutura dessas duas frases. Na frase (1), trabalhos científicos é o sujeito paciente e o pronome se denomina-se partícula apassivadora. Respeitando a regra geral de concordância – o verbo concorda com o sujeito , o verbo revisar deve ser, segundo a gramática normativa, flexionado no plural. Cabe ressaltar que essa estrutura, denominada voz passiva sintética, só ocorre com verbos transitivos diretos. Na frase (2), de professores de português é o objeto indireto. O pronome se, junto de verbos transitivos indiretos ou intransitivos, é o índice de indeterminação do sujeito. O sujeito é indeterminado e o verbo fica na terceira pessoa do singular. IV – VERBOS IMPESSOAIS São empregados sempre na terceira pessoa do singular. São eles: a) verbo haver, no sentido de existir, ocorrer, realizar-se, ou indicando tempo decorrido. Exemplo: Havia muitas pessoas no tribunal. b) verbo fazer, indicando tempo. Exemplos: Faz dois anos que não a vejo. Fez cinco graus na serra gaúcha. c) verbos que expressam fenômenos naturais: chover, nevar, gear, ventar, relampejar, trovejar... Exemplo: Chove muito no inverno. Obs.: Quando esses verbos são empregados em sentido conotativo, variam conforme o sujeito. Exemplo: Choveram asneiras naquela prova. c) verbos chegar + de, passar + de, bastar + de. Exemplos: Chega de tolices. Basta de ofensas. Já passa das dez horas. Se o verbo impessoal vier acompanhado de um verbo auxiliar, este será contaminado pela impessoalidade do verbo principal, isto é, ficará na terceira pessoa do singular. Exemplo: Deve haver sérias razões para seu afastamento do cargo. V – VERBOS SOAR, BATER, DAR Concordam normalmente com o sujeito. Exemplos: Soaram dez horas no relógio da matriz. Soou dez horas o relógio da matriz. VI – NOMES COLETIVOS NO SINGULAR Exigem o verbo no singular. Exemplo: A quadrilha de assaltantes foi presa. VII – COLETIVOS PARTITIVOS Com coletivos partitivos (a maioria de, uma parcela de, grande parte de...) pode-se empregar o verbo na terceira pessoa do singular ou do plural, mas pertence mais ao registro formal o uso do singular. Exemplo: A maioria dos alunos assistiu/assistiram à palestra. VIII – NOMES NO PLURAL Exigem o verbo no plural somente se estiverem acompanhados de determinante no plural; caso contrário, o verbo fica no singular. Exemplos: Santos fica em São Paulo. Os Estados Unidos são um país democrático. Meus óculos desapareceram. Itens não recebe acento gráfico. IX – NOMES DE OBRAS ARTÍSTICAS Mesmo sendo acompanhadas de determinante no plural, os nomes de obras artísticas devem deixar o verbo no singular. Quando se trata de obras literárias e clássicas, o gramático Luiz Antônio Sacconi observa que também é preferível usar o verbo no singular. Exemplo: “Os sertões” engrandeceu a nossa literatura. X – PRONOMES QUE E QUEM O pronome que não interfere na concordância; o pronome quem exige o verbo na terceira pessoa do singular. Exemplos: Fui eu que fiz o trabalho. Fui eu quem fez o trabalho. XI – UM DOS QUE/NENHUM DOS QUE OU NEM UM DOS QUE Exigem o verbo obrigatoriamente no plural. Exemplos: Ele é um dos que votaram contra o projeto. Nenhum dos que se candidataram à direção têm competência para o cargo. XII – SUJEITOS LIGADOS POR OU 1. Se a conjunção OU indicar exclusão ou retificação, o verbo concordará com o núcleo do sujeito mais próximo. Exemplo: Pedro ou Leonardo será o diretor da escola. 2. Se houver alternância por inclusão no sujeito, o verbo será flexionado no plural. Exemplo: O amor ou o ódio exagerados podem ter consequências negativas. XIII – NÚCLEOS DO SUJEITO UNIDOS POR NEM. Usa-se comumente o verbo no plural, sendo admissível também a concordância no singular, principalmente quando o verbo precede o sujeito. Exemplos: Nem a riqueza nem o poder o libertarão. Não o convidei (convidamos) nem eu nem minha esposa. XIV – NÚCLEOS DO SUJEITO NO INFINITIVO O verbo concordará no plural se os infinitivos forem determinados por artigo ou expressarem ideias opostas; caso contrário, pode-se empregar o verbo no singular ou no plural. Exemplos: Rir e chorar fazem parte da vida. Cantar, dançar e representar faz (fazem) sua alegria. XV – MAIS DE, MENOS DE, CERCA DE, PERTO DE. O verbo concorda com o numeral que acompanha tais expressões. Exemplos: Mais de um aluno chegou atrasado. Cerca de mil pessoas estão desabrigadas. XVI  UM OU OUTRO. Exige o verbo no singular. Exemplo: Um ou outro aluno apareceu na festa. XVII – SUJEITO ORACIONAL O verbo permanece na terceira pessoa do singular. Exemplo: Consta que todos apoiaram a decisão. Bibliografia consultada BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37.ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999. CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa – Novo Acordo Ortográfico. 48. ed. São Paulo: Nacional, 2009. CUNHA, Celso; CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3. ed. rev. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática completa: teoria e prática. 29. ed. São Paulo: Nova Geração, 2008.

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